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Futebol, fanatismo brasileiro

Comportamento
Futebol, fanatismo brasileiro

Por diversas vezes já ouvimos falar sobre fanáticos. Mas, o que é ser fanático de verdade? O dicionário diz que o fanático é uma pessoa extremista, que gosta de alguma coisa de modo exagerado. Que faz sacrifícios para poder ter, ver, acreditar ou acompanhar o que se gosta.

Temos diversos modos de fanatismos no mundo. Temos os fanáticos por religião, onde para aquela pessoa a religião é tudo, e só a religião na qual ele acredita é a verdadeira e nenhuma outra deveria existir. Temos fanáticos por política. Sim! Aqueles militantes políticos, que fazem de tudo para ver o seu partido acima dos outros, acompanham passeatas, carreatas, comícios e tudo o que envolva o partido ao qual pertence. Tem aqueles que fazem de tudo para acompanhar o seu cantor(a) ou banda favorito(a). Viajam horas e horas para estarem sempre por perto de seus ‘ídolos’, tem o quarto, ou a casa, todo decorado com artigos que façam sentir-se próximo de seus ídolos.

No Brasil existe toda a forma de fanatismo. Não é tão comum ver por aqui grupos guerreando por uma determinada ideologia religiosa. Não vemos também, freqüentemente, pessoas em conflito em razão de política. Mas, não podemos esquecer que esse é o Brasil e a paixão nacional é o futebol. Ouvir nas praças das cidades que “o brasileiro troca de carro, de casa, de amores, troca tudo... mas o time, ah... esse é um só, para sempre!” é normal.

É normal encontrar pessoas que se declaram fanáticas pelo clube do coração, mas sempre tem aquelas que se destacam, que tem uma história ótima para contar.

Qual o limite do fanatismo?

O torcedor corintiano, Delci ‘Tony’, 38 anos, nasceu no momento mais difícil da história do seu time de coração, quando o clube estava em jejum de títulos. Filho de pai santista, e mãe corintiana. O pai ria a toa em casa, seu time era o melhor da época. A mãe se esforçava para fazer que o filho herdasse o amor pelo alvi-negro paulistano.

Para Delci o fanatismo é uma paixão incontrolável que aflora dentro das pessoas, é algo que não tem limites.

Tony falou sobre o fanatismo e alguma de suas histórias.

Chorar sem apanhar

Aos sete anos de idade, em 1976, assistiu pela TV o Corinthians se classificar para a final do campeonato nacional, derrotando o Fluminense em pleno Maracanã. Ingênuo, achava que o seu clube já era o campeão brasileiro e venceria o Internacional com facilidade em Porto Algre/RS, uma semana mais tarde. Doce ilusão. Ao ver o Inter marcar o segundo gol em cima do alvi-negro, olhou para a mãe e viu o olhar de tristeza. A partir daquele momento ele descobriu que não era necessário levar palmadas de seus pais para que chorasse. A partir daí, já estava decidido. Coração corintiano!

Emprego x Corinthians

O ano era 1985, Delci tinha 16 anos e havia conseguido seu primeiro emprego e não tinha deixado de ir a nenhum jogo do Corinthians no campeonato, tanto na capital quanto fora dela. As datas dos jogos não atrapalhavam em seu trabalho, já que os jogos na capital eram no meio da semana, e fora de São Paulo nos finais de semana. Mas, nessa semana o Timão jogaria na quarta-feira no Maracanã, contra o Flamengo, e ele deveria trabalhar no dia seguinte. Aí veio a dúvida. Responsabilidade ou lazer? Deixar de lado os valores que sua família ensinou (nunca trocar a responsabilidade pelo lazer) ou ser a ‘vergonha da família’?

“Mas e os amigos? Como eu ia deixa eles irem sem mim? Contra tudo e contra todos. Contra a moral e os bons costumes, decidi que ia levar todas as broncas em casa e no trabalho, mas só depois de ver o Coringão.”, disse Delci.

Ao chegar no trabalho na sexta-feira, depois de ter faltado quarta e quinta-feira, o seu cartão de ponto já havia sido retirado. No departamento pessoal, se não houvesse um atestado médico ele estaria demitido, e assim foi feito. “Em casa foi pior, meu pai tentava me ‘colocar na linha’, mas sem sucesso”, diz Delci.

Segundo Delci, “esse foi o primeiro de três empregos que eu abri mão para ver o Corinthians jogar”. “Tony” se sente, hoje, com a sua missão cumprida, e diz que tudo o que fez foi válido, mas hoje o Corinthians é uma de suas quatro paixões, e que suas três filhas dependem de atitudes responsáveis dele.

Delci produziu um vídeo para o Corinthians e o postou no YouTube. O vídeo pode ser acessado a pelo seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=Bp3eWeBcRQg


Escrito por Caio às 15h49 [   ] [ envie esta mensagem ]



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